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segunda-feira, 22 de abril de 2013

DIA 23 DE ABRIL, DIA DE OGUM NA UMBANDA


O sincretismo com São Jorge ocorre no sul e no sudeste do Brasil. Como na Linha de Oxalá, todos os trabalhadores da Umbanda têm por Ogum tremendo respeito e obediência e seus guerreiros são imbatíveis no combate ao mal.

A linha de Ogum dispensa muitos comentários. Ele é o responsável pela manutenção da lei e da ordem no mundo astral e não apenas na Umbanda ou nos cultos afros.

Não conhecemos, quiumba ou qualquer outro espírito maligno que não o respeite.

Os trabalhadores da linha de Ogum foram normalmente guerreiros ou militares, como os legionários romanos, os cavaleiros das cruzadas, os templários, os sarracenos e muitos outros.
Comparativamente, Ogum é na Umbanda o mesmo que a polícia é para o povo, se a situação ameaçar sair do controle ou se nos sentirmos ameaçados, ele agirá trazendo e mantendo a ordem.
Ogum é respeitadíssimo nos cultos de Umbanda.Logum ou Ologum (olo = senhor, Gum = guerra, ou seja, o senhor da guerra ou guerreiro) é uma divindade da cultura Iorubá, região onde localiza-se hoje a Nigéria. Nos domínios de Obéocutá, seu culto era essencialmente agrário, como ainda o é, é a divindade do ferro, quem produz as ferramentas necessárias ao cultivo. Nesta Região, poucos são os que dominam a arte de fundir e moldar o ferro de forma manual. Por isso, todos que dominam esta técnica são protegidos de Ogum.

Na África, a organização teológica funciona de modo diferente à forma como se desenvolve a religiosidade afro no Brasil. Lá, as pessoas acreditam que a divindade Iorubá é um ancestral comum aos moradores da tribo, cidade, ou etnia. No caso, grande parte das pessoas que praticam as religiões "tradicionais" da região de Obéocutá, acreditam que Ogum seria seu ancestral divinizado.

Quanto ao mito, Ogum é lembrado como conquistador e caçador, como quem sempre defendeu os seus e sempre proveu de alimentos sua tribo. Contudo, no Brasil seu mito muda de aspecto, devido a lógica da escravidão, os africanos acabam por exaltar outros aspectos desta divindade, de forma a contemplar seus anseios, buscando se livrar dos castigos dos seus senhores, passavam então a privilegiar o aspecto guerreiro e violento da divindade.

Ogum é o guerreiro, general destemido e estratégico, é aquele que veio para ser o vencedor das grandes batalhas, o desbravador que busca a evolução.

Defensor dos desamparados, segundo a lenda, Ogum andava pelo mundo comprando a causa dos indefesos, sempre muito justo e benevolente. Ele era o ferreiro dos orixás, senhor das armas e dono das estradas. Irreverente, pois é um orixá valente, traz na espada tudo o que busca.

É o protetor dos policiais, ferreiros, escultores, caminhoneiros e todos os guerreiros.

Santo correspondente na Igreja Católica: São Jorge no Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul; na Bahia Santo Antônio.

Cores predominantes de Ogum nas guias: Azul marinho no Candomblé. Vermelho na Umbanda, sendo que na Umbanda do Rio Grande do Sul muitos terreiros utilizam o verde, vermelho e branco. Entretanto as cores são determinadas pelo guia e conforme o reino em que trabalham e para qual Orixá.



domingo, 14 de abril de 2013

O USO DA CACHAÇA OU MARAFO NA UMBANDA

A cachaça, o vinho, a cerveja e etc..., têm função magística. No plano astral, servem para fins que fogem,  na maioria das vezes, completamente à nossa compreensão. Pela volatilidade do álcool, apresenta eterização para desintegrar morbos e campos de forças mais densos. Espírito não vem no terreiro para beber. Um Exu Senhor Tranca Ruas das Almas, inquirido sobre a necessidade do espírito beber respondeu: - “se quisesse beber não viria nos terreiros”. Iria frequentar os bares onde vivem os alcoólatras e lá arranjaria um copo-vivo (termo usado para aqueles que são dominados por espíritos viciados em bebida).
Aqui vale um ensinamento. No mundo espiritual existe o principio da lei dos semelhantes, ou seja, o semelhante atrai o semelhante. Todo homem embriagado quase sempre está acompanhado de um espírito semelhante. O grande problema é que, como o espírito não pode ingerir a bebida, ele aspira, para sua satisfação, a emanação do álcool, razão pela qual o bêbado (copo-vivo), ingere enormes quantidades de bebida. Uma parte para ele e outra para o espírito. Interessante que esses espíritos protegem o seu doador, bem como nós fazemos com o copo que nos serve para beber água, mas quando não mais lhe serve, abandona a criatura em estado deplorável.
O álcool, em sua essência, é líquido proveniente da cana de açúcar, extremamente volátil, assemelhando-se ao éter, representando elemento que facilmente transcende do plano material para o etéreo, sendo excelente auxiliar para desfazimento de energias  negativas impregnadas no períspirito.
Cada linha de trabalho possui seu próprio curiador, ou seja, a bebida correta para cada uma delas:
Caboclos bebem cerveja, vinho ou água de coco;
Preto Velho bebe café, vinho, marafo (aguardente);
Crianças bebem refrigerantes e sucos;
Baianos bebem água de coco, batida de coco, marafo e vinho;
Boiadeiros bebem cerveja, vinho e batida de coco;
Marinheiros bebem rum e cerveja;
Exu bebe marafo, whiski, vinho e cerveja;
Pombagira bebe cerveja, champagne e vinho.
O álcool ainda possui a propriedade de ser usado como contraste, quando a entidade age magnetizando a bebida e faz o consulente ingeri-la em pequena quantidade, permitindo-lhes visualizar o seu organismo, mostrando algum problema que deve ser cuidado. Funcionando também, como elemento antisséptico para limpar e desinfetar regiões que estejam sendo tratadas pelas entidades em seus atendimentos.
Não se pode deixar de citar que o álcool ainda propicia no organismo do médium um entorpecimento de suas faculdades facilitando com isso o trabalho das entidades, proporcionando-lhes mais liberdade de ação durante o processo de incorporação, já que libera no corpo do médium substâncias ativadoras do cérebro que atuam nos plexos nervosos, aproveitadas pelas entidades em seu trabalho no plano material.
Muitas pessoas condenam o uso do álcool pela falange de Exus e Pombagiras. Dizem que essas entidades estão extremamente atrasadas evolutivamente e ainda ligadas ao plano terreno, necessitando desse elemento para satisfazerem seus vícios. Nada mais errado, também. A energia, como já se explicou é usada e manipulada como pelas demais linhas de trabalho da Umbanda em sua magística.
Exus e Pombagiras por estarem em faixas vibratórias mais próximas do ambiente terreno utilizam-se da energia retirada desses elementos para realizarem seus trabalhos magísticos. Usam o álcool contido nas bebidas para descarregos, retirando energias negativas dos médiuns, do ambiente ou dos consulentes.
A bebida é usada no ponto riscado, na tronqueira, nas ferramentas de Exu, etc. verifica-se nos terreiros, também, a bebida sendo usada antes de uma gira de Exu, sendo passada nas mãos e braços dos médiuns para baixar a vibração e facilitar a conexão entre o espírito incorporante e a matéria do médium.
O mesmo ocorre com a linha de trabalho de baianos, marinheiros, mineiros e outros, tendo esses a fama de gostarem de um traguinho. Na verdade, essas linhas vem manifestando-se assim pela vibração que carregam quando da incorporação, nada tendo de embriagadas.
A título de conclusão, deve-se ainda dizer que o álcool ingerido pelo médium também é dissipado no trabalho, ficando em quantidade reduzida no organismo após haver a incorporação.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

ABERTURA DOS TRABALHOS

No dia 29-03-2013, foi sexta feira maior, para os Umbandistas marca o início do ano espiritual (depois de termos fechado a Gíria para a Quaresma) , é nesse dia que abrimos nossa Gíria, e damos início aos trabalhos do ano, com as forças de nossos Guias, Orixás e Protetores. Nesse dia pedimos as bençãos, a paz para todos nossos irmãos de terreiros para que possamos ter um Ano muito feliz e que possamos alcançar a nossa Evolução Espiritual, pedimos também pelas pessoas que não acreditam na Umbanda e nem no espiritismo, pois essas são as que mais precisam de nossas orações e ajuda, por isso vamos nos unir numa única fé, a da caridade, fraternidade e amor ao próximo.

Que OXALÁ abençõe a todos nós.
Que assim seja!



sábado, 16 de março de 2013

FEITIÇOS DE AMOR E MUITOS OUTROS

Para Acalmar:
Cozinhe sete flores de laranjeira com açúcar. Escreva em sete tiras de papel o nome da pessoa e ponha numa tigela branca. Coloque a calda fria na tigela e enfeite com sete rosas brancas. Acenda uma vela para o Anjo da Guarda da pessoa ao lado e faça uma oração.
Para afastar mandingas do seu caminho:
Numa sexta-feira, vá a uma encruzilhada, às 18 h em ponto. Leve uma garrafa de cachaça, um cachimbo, uma vela branca e outra vermelha e uma rosa amarela. Deixe tudo lá e peça as entidades do bem para livrar você de todo mal. Vá embora sem olhar para trás.
Para ter sucesso no amor:
Coloque dois litros d’água para ferver e acrescente folhas de manacá, girassol e mil-homens. Deixe a infusão ferver por cinco minutos. Quando esfriar, jogue esse “banho do amor” do pescoço para baixo. Não se enxugue. Repita 7 sextas-feiras.
Para despachar doenças e feitiços:
Numa lixeira, passe pelo corpo cinco palmos de morim branco e jogue-os no lixo. Passe cinco ovos (crus) e cinco velas brancas, dizendo: “as doenças e os feitiços não servem para mim, por isto os jogos no lixo”. Banhe-se com folhas de Oriri maceradas.
Para ter sorte no trabalho e nos negócios:
Coloque para ferver dois litros d’água, três galhos de guiné, três de alecrim, três pedrinhas de sal grosso e três moedas (as de maior valor que tiver). Tome seu banho normalmente e após jogue em seu corpo, do pescoço para baixo. Não enxugue.
Para unir um casal:
Num prato de louça amarelo coloque um ninho de passarinho (feito pela própria ave). Ponha duas gemas de ovo cruas dentro do ninho e junte os nomes do casal, colocando o seu por cima. Regue com mel e ofereça a Oxum numa cachoeira.
Para perder a barriga:
Ao acordar, na lua minguante, beba um copo com água filtrada, em jejum. Em seguida, bata com a sua barriga três vezes na porta de seu quarto, dizendo: “Lua minguante, irmã de São Amarante, leva a minha barriga exuberante e me traga de volta uma secante”. Repita esta simpatia todos os dias da lua minguante.
Para prosperidade:
Refogue 12 quiabos em azeite de oliva, com cebola ralada. Arrume os quiabos em forma de coroa, numa gamela redonda. Ofereça a Xangô no alto de uma pedreira, com sete velas marrom acesas. Vista-se com roupas brancas.
Para trazer de volta um grande amor:
Pegue duas velas perfumadas e escreva em cada uma o nome completo do seu amor e o seu. Num pires branco, sem uso, coloque duas alianças, uma ao lado da outra .
No centro de cada uma, acenda uma vela branca. Reze um Pai-Nosso e uma Ave-Maria, ofereça ao anjo da guarda do seu amor e ao seu também, pedindo para que ele volte para você. Quando as velas acabarem, leve tudo e deixe num jardim bem florido.
Para vencer demandas:
Corte sete quiabos ao meio (ao comprido) e dentro de cada um deles coloque um pedido. Amarre cada quiabo com fita vermelha e branca e passe-os pelo corpo. Enrole-os numa folha de papel de presente e despache numa praça.
Para afastar vícios:
Cozinhe 500g de canjica vermelha e bote num alguidar com o nome do viciado. Coloque por cima folhas frescas de vence-demanda, vence-tudo e tira-teima e regue com mel. Ofereça no mato a Ossain, com duas velas brancas. Peça o afastamento do vício.
Para segurar o marido:
Em qualquer noite de lua crescente ou cheia, quando seu marido estiver dormindo, tire a medida do membro dele com um barbante virgem. Dê sete nós no barbante e, a cada nó dado, diga: “Preso a mim, fulano (fala o nome), estás por ordem de São Cipriano e nada haverá de nos separar”. Mantenha o barbante debaixo da palmilha, do sapato do pé esquerdo.
Para obter tranquilidade:
Bata 16 claras de ovos com açúcar até o ponto de suspiro. Cubra sua cabeça e parte de seu corpo com a clara batida, pedindo a Oxalá que alivie o seu sofrimento. Enxague-se com sabão de coco, vista-se de branco e acenda uma vela para Oxalá.
Para se livrar de assédio sexual:
Num papel sem pautas escreva o nome completo da pessoa que lhe está assediando. Deixe o papel na porta de entrada de uma igreja que tenha o santo de sua devoção. Entre na igreja e peça: “Meu santo, livra-me da perseguição, do assédio sexual de fulano (fala o nome) e afasta essa pessoa da minha vida para sempre, Amem”. Reze um Pai-Nosso e uma Ave-Maria e ofereça ao anjo da guarda do assediador, pedindo luz para ele.
Para ter sorte nos negócios:
Procure uma dessas pessoas que têm o “toque de Midas”, ou seja, tudo em que colocam a mão vira ouro. Peça licença para apertar a mão direita dessa pessoa e depois a esquerda. Mentalize a sorte e o sucesso dessa pessoa para você. Não deixe a pessoa perceber que está passando para você um pouco de sua energia positiva.
Para atrair riqueza:
Faça um padê de dendê e outro de mel e coloque cada um numa folha de mamona sem talo. Na praça, invoque Exu Marabô e passe a folha com o dendê pelo lado esquerdo do corpo, pedindo riqueza. Passe o de mel pelo lado direito, pedindo prosperidade.
Para esquecer um amor que não deu certo:
Pegue uma foto da pessoa que você ainda ama e coloque num pirex com água e sal. Ao lado, coloque o último presente que essa pessoa lhe deu e deixe debaixo de sua cama durante 7 dias. E todos os dias, ao acordar, molhe o dedo indicador da mão direita na água salgada e diga, com fé: “Assim como esta foto foi desbotada pela água salgada, assim eu quero que fique a imagem de fulano (diga o nome da pessoa) em minha memória”.
Para afastar um inimigo:
Coloque dentro de um alguidar um papel com o nome da pessoa e em cima faça um padê de dendê. Soque três pedras de carvão, fazendo um pó fino e cubra o padê. Enterre-o sob uma árvore, e peça a Exu para tirar a pessoa de sua vida. Acenda uma vela branca.
Para arranjar um homem bom de cama e de grana:
Num pedaço de papel branco, escreva os nomes dos 12 apóstolos de Jesus: Pedro, Paulo, João, etc, firmando o pensamento num homem bom, como foram os apóstolos. Nesse papel, coloque 12 moedas de qualquer valor, embrulhe e deixe na caixa de esmolas de uma igreja, pedindo aos apóstolos para colocar no seu caminho um homem bom de cama (sadio e sexualmente ativo) e de grana (bem empregado ou que seja rico).
Para tirar má sorte:
Passe pelo corpo um pedaço de morim vermelho. Depois passe pelo corpo 9 ovos vermelhos, crus, 9 velas vermelhas e 9 moedas. Faça uma trouxa com o morim e despache num rio sujo. Banhe-se com folhas frescas de oriri maceradas do pescoço para baixo.
Para manter um amor:
Recorte dois corações em morim vermelho e coloque no meio dos dois, o nome do amado (a) escrito em papel branco. Costure em volta os corações com linha amarela e diga: “Maria Padilha e sua quadrilha, que o meu amado (a) nunca me esqueça”. Coloque o coração sob a palmilha do sapato do pé direito.
Para alguém te esquecer:
Deixe um ovo três dias sob o sol, para que fique choco. Faça um furinho na casca e coloque o nome da pessoa, com três gotas de azougue. Tampe com pingos de vela. Enterre na lama e acenda uma vela branca em cima. Banhe-se com folhas de colônia.
Para não faltar comida em sua casa:
Em um prato branco de louça, coloque arroz cru, feijão, milho, pó de café e um pão. No centro do prato, coloque uma imagem de São Benedito. Deixe esse prato na sua cozinha com seus mantimentos. Embrulhe o prato com plástico transparente para não dar bicho. Reze um Pai-Nosso e uma Ave-Maria e ofereça os alimentos a São Benedito, pedindo que jamais falte comida em sua casa. Troque os alimentos uma vez por mês.
Para começar a semana em alto astral:
Olhe para o céu, mentalize o Universo com todas as estrelas, e diga com fé: “Ó Virgem Maria, que bem sabes o que é tristeza e agonia, afasta de minha vida, eu te imploro, a dor e a tristeza e me dá um dia sem melancolia”. E pensando na estrela-guia, aquela que indicou o local do nascimento do Menino Jesus, reze três Ave-Marias e agradeça o dia a Nossa Senhora.
Para afastar negatividade no lar:
Macere folhas frescas de erva-prata, peperegum e vence-demanda. Despache o bagaço num jardim. Depois, com um galho de peperegum, salpique por toda casa o sumo das ervas. Leve para o mato o galho usado e acenda uma vela para Ossanha.
Para afastar o azar de sua casa:
Vá a uma igreja, pegue um pouco de água benta e a chave principal de sua casa. Em um pedaço de papel branco, sem linhas, escreva esta oração: “Senhor, lança sobre esta chave tua santíssima benção, para que o mal não entre em minha casa, nem em minha vida. Amém”. Enquanto estiver rezando, mergulhe a chave na água benta e vá respingando em você e na sua casa inteira da frente para os fundos.
Para ter união de todos em casa:
Faça numa quarta-feira um defumador com incenso, cravo, erva-doce, sândalo e alfazema. Defume dos fundos para frente da casa e despache as cinzas numa praça. Na sexta-feira, defume da frente para os fundos com fava de baunilha seca e deixe o defumador apagar nos fundos da casa.
Para agradar a Ogum pela sua ajuda:
Em uma estrada, ofereça ao Orixá em um alguidar louçado, inhame da costa assado e descascado, com sete velas vermelhas acesas.
Para seu filho gostar de estudar:
Pegue o lápis ou a caneta ou a caderneta da escola de seu filho, coloque em um pirex branco e por cima a imagem do seu santo de devoção. Ao lado, acenda uma vela em intenção do anjo da guarda de seu filho e peça com fé: “Meu santo (fala o nome), abençoa meu filho, mantém firme sua vontade de estudar, para um bom cidadão se tornar”. Quando a vela acabar, deixe a cera numa igreja.
Para tirar vícios:
Perto de um rio numa sexta-feira, passe pelo corpo quatro cocos secos (tire a água), quebre-os depois. Passe também quatro velas brancas e quatro bolas de algodão. Peça a Iansã para despachar o vício. Em casa banhe-se com água de canjica e ofereça os grãos a Oxalá numa tigela branca, com uma vela também branca.
Para nunca faltar dinheiro:
Coloque em cima da geladeira um pedaço de pão, uma imagem de Santo Antonio e diga: “Este pão eu ofereço a Santo Antonio para que eu tenha a mesa sempre farta”. Na sala, coloque um vaso com hastes de trigo ao lado da imagem de Jesus e diga: “Este trigo eu ofereço a Jesus para que a minha vida seja sempre próspera”. Reze um Pai-Nosso e uma Ave-Maria com muita fé.
Para trazer um amor de volta:
Faça um bolo com farinha de araruta e coloque para assar no forno, com o nome da pessoa dentro. Ofereça o bolo (confeitado a seu gosto), com um buquê de noiva, a Ibejí, na praça de uma igreja. Acenda três velas brancas.
Para afastar pessoas negativas:
Pegue um sapato usado pela pessoa (de preferência o pé esquerdo) e arranque a sola. Leve a sola a uma encruzilhada, e aponte o bico na direção contrária à sua casa. Cuspa em cima e peça: “Deusa dos ventos, leve para bem longe da minha vida (fulano)”. Volte sem olhar para trás.
Para trazer prosperidade e boa sorte profissional:
No alto de uma pedra (de frente para o mar), ofereça a Xangô seis qualidades de frutas (menos abacaxi e manga), seis moedas correntes e seis conchas grandes. Peça riqueza e prosperidade profissional.
Para arranjar um bom marido:
Vá a uma igreja que tenha a imagem de Santo Antonio e coloque um pouco de água benta num copo branco virgem. Compre um pente branco e lave-o com a água benta, dizendo: “Assim como a água benta benze este pente, há de me benzer, para que arranje um marido bom, com a ajuda de Santo Antonio. Amém”. Use esse pente toda vez que sair de casa e só jogue fora depois do casamento.
Para abrir caminhos:
Passe pelo corpo e vá colocando dentro de um saco de morim branco sete ovos, sete moedas, sete velas brancas, sete bolas de canjica (cozida) e sete obis. Amarre a boca do saco e pendure-o numa árvore. Banhe-se com folhas maceradas de Oriri.
Para pedir algo bom a Iansã:
Prenda a um barbante 49 bandeirinhas de São João nas cores vermelha, branca e rosa e enfeite um bambuzal. Depois ofereça a Iansã uma travessa de louça branca com 9 acarajés, nove moedas corrente e nove velas rosas acesas. Peça coisa boa.
Para pedir algo bom a Ogum:
À noite, acenda uma vela branca de 7 dias na sala principal de sua casa. Ao lado, coloque a imagem de São Jorge, um copo com água e a oração do santo. Na manhã seguinte, faça a oração deixada, o pedido da graça que deseja alcançar e beba a água. Repita por 7 dias, até a vela acabar.
Para seu marido “funcionar” com você:
Pegue um bom pedaço de linha branca virgem e amarre ao pé de uma imagem de Santo Antonio. Acenda uma vela e peça ao santo para proteger seu casamento. Quando a vela acabar, desamarre o santo, retire a linha e, com uma agulha, dê sete pontos no fundo de cada cueca do marido, dizendo: “Amor (fala o nome do marido), você só vai “funcionar” com o calor do meu amor”.
Para os patrões serem amigos da empregada:
Faça a sobremesa preferida dos patrões e, no centro do prato coloque uma vela azul e outra rosa e ofereça aos anjos da guarda deles. Ao acender as velas mentalize união, compreensão e amizade. Reze um Pai-Nosso e uma Ave-Maria, apague e guarde as velas. Em seguida ofereça a sobremesa aos patrões. Todas as vezes que for necessário, repita a sobremesa e use as mesmas velas.
Para vencer um inimigo:
Cozinhe 500g de canjica e escorra. Lave uma cabeça de cera numa água com folhas maceradas de saião e capeba. Escreva bem no alto da cabeça de cera o nome do inimigo. Estique um pedaço de morim branco, espalhe no centro a canjica e coloque em cima a cabeça. Enrole tudo sem dar nó e despache num rio sujo.
Para afastar doenças:
Passe pelo corpo um pedaço de morim vermelho e arrume-o no chão. Passe também sete pedaços de bofe bovino e sete punhados de pipoca estourada na areia da praia. Amarre o morim fazendo uma trouxa e despache num mato bem longe da sua casa.
Para seu dinheiro crescer:
Corte uma moeda antiga no meio, faça um furo em uma das metades e use-a como amuleto. Coloque a outra metade dentro do concreto que será usado no alicerce de uma casa em construção. Se a casa for sua, melhor ainda. Seu dinheiro vai render.
Para afastar algum inimigo da sua vida:
Coloque dentro de um saco feito com morim preto, sete tiras de papel escrito o nome da pessoa, pó de carvão e folhas frescas de corredeira. Feche o saco e amarre-o numa árvore seca. Peça a Exu que o inimigo se afaste do seu caminho.
Para ganhar muito dinheiro:
Em qualquer sexta-feira de lua crescente ou cheia, pegue a nota de maior valor que você tiver e vá até a praia. Lá, mergulhe essa nota 7 vezes na água do mar, dizendo: “Iemanjá, multiplique este dinheiro, assim como se multiplicam os peixinhos no mar”. Guarde a nota na sua carteira, é um amuleto que vai atrair muito dinheiro.
Para obter das Almas, alguma ajuda:
Vá a um campo e faça no chão uma cruz com pipocas estouradas na areia da praia. Enfeite com flores brancas e ao pé da cruz acenda nove velas brancas. Ore invocando as Almas Santas e Benditas. Ao chegar em casa, banhe-se com folhas frescas de saião da cabeça aos pés.
Para ter sucesso no trabalho e nos negócios:
Pegue uma colher de mel puro, duas folhas de hortelã e dois torrões de açúcar mascavo. Junte tudo num pires branco virgem e deixe uma noite no sereno. No dia seguinte, antes de sair para o trabalho ou decidir um negócio, passe as pontas de todos os seus dedos e lamba-os um a um. Assim você terá sucesso em tudo o que fizer.
Para fechar seu corpo contra negatividade:
Passe pelo corpo, debaixo de uma jaqueira, sete ovos crus e ponha-os dentro de uma panela de barro. Cubra-os com dendê, dizendo: “Assim como o dendê não entra no ovo, que nenhuma negatividade entre em minha vida”. Macere Orirí e banhe-se.
Para ajudar a criança nos estudos:
Escreva o nome da criança na primeira página de um caderno virgem. Na segunda, escreva a Oração de Santana. Sempre que a criança fizer um teste, ore e peça a proteção da padroeira dos estudantes. Acenda uma vela branca e ponha um copo d’água ao lado.
Para conseguir um amor:
Cozinhe 21 pétalas de rosas vermelhas. Junte à água das pétalas cozidas sete gotas de almíscar e uma pitada de canela em pó. Banhe-se do pescoço para baixo e não se enxugue. Acenda uma vela vermelha na encruzilhada para Maria Padilha, pedindo sorte no amor.
Para ter prosperidade na vida e felicidade no lar:
Vá a uma praia levando 4 saquinhos de plástico e em cada um deles coloque um punhado de areia (quantidade necessária de acordo com o tamanho de sua casa pois não pode jogar fora nem guardar o que sobrar). Depois jogue, começando do cômodo da frente, um punhadinho de cada saco em cada canto dos cômodos ou seja: saco 1 no canto 1, saco 2 no canto 2, saco 3 no canto 3 e saco 4 no canto 4 em forma de cruz iniciando pelo lado da entrada do cômodo. Cada punhado que jogar diga: “Assim como Deus não deixa faltar areia no mar, não faltarão prosperidade na minha vida e felicidade no meu lar”. Jamais varra essa areia. Ela terá que ficar na sua casa.
Para afastar doenças graves:
Durma três noites sobre um lençol branco virgem. No mato, estique o lençol no chão e pise nele. Ali em cima, passe pelo corpo 1 kg de canjica aferventada, dez ovos brancos e dez obis. Peça a Oxalá que a doença não faça moradia no seu corpo. Pule para frente, vá embora sem olhar para trás.
Para chamar Anjo da Guarda afastado:
Num copo para vela de 7 dias branco, ponha um dedo de água mineral, 16 gotas de essência de sândalo, 6 de essência de baunilha e 4 de essência de rosas. Coloque dentro uma vela branca de 7 dias e acenda num lugar alto para o seu Anjo da Guarda. Do lado esquerdo coloque um copo com água. Faça uma oração e prometa não causar mais este afastamento.
Para não faltar dinheiro no bolso:
Numa noite de lua cheia, pegue a nota de maior valor que tiver e mostre à lua, dizendo: “Deus te salve lua cheia, irmã da lua crescente, quando fores e voltares, traze-me bastante desta semente”. E mentalize: “Jamais me faltarás e sempre crescerás”. Guarde a nota na sua carteira. Repita a simpatia sempre na lua cheia e na lua crescente.
Para atrair a pessoa amada:
Cozinhe sete ovos, retire as gemas e amasse-as bem. Misture mel e farinha de mandioca às gemas e, num prato branco, modele um coração. Ponha o nome da pessoa amada e enfeite com rosas brancas. Ofereça a Oxum na cachoeira.
Para afastar doenças:
Ferva 700g de canjica e 700g de feijão fradinho. Estenda um pedaço de morim branco no chão. Passe pelo corpo os grãos da canjica e do feijão fradinho e vá colocando no morim. Faça uma trouxa e despache-a num precipício. Banhe com folhas de Saião e Orirí da cabeça aos pés.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

OFERENDA NA UMBANDA

Você sabe o que é uma oferenda?
Dentro da Corrente Astral de Umbanda, o que significa, e o que pode movimentar
de bom e de mau?
Oferenda – cremos que qualquer um sabe – no puro sentido do termo, é uma
coisa, um objeto ou aquilo que se oferece; porém, oferenda na interpretação
puramente religiosa passa a ser oblata, que significa, pelo sentido que lhe
imprimiu a Igreja Apostólica Romana – tudo o que se oferecem a Deus ou aos
Santos na dita igreja... ou seja, esse tudo que se oferece, implicando no aspecto da
oferta material, financeira, etc...
A oferenda na Corrente Astral de Umbanda difere bastante, quer no sentido da
oblata da igreja, quer no sentido das oferendas ou das “comidas de santo” dos
“candomblés” ou Cultos Africanos. Por quê?...
Porque na Umbanda a oferenda existe, porém dentro do seguinte conceito:
Deus – o Pai-Eterno, Jesus – o Cristo Planetário, as Potências Espirituais
Superiores, isto é, os Orixás, os Arcanjos, ou mesmo os Anjos, etc., só se
comprazem com a “oferenda” ou com a oferta mental – do sentimento, do
coração, do pensamento, assim como o que se possa interpretar como prece,
oração, evocação etc...
Agora, abaixo de Deus, de Jesus, dessas Potências Celestiais, existem os
ESPÍRITOS em seus diferentes graus de evolução de entendimento, etc. Aos
espíritos, dentro de certos graus de entendimento, isto é, aos espíritos que ainda
sentem necessidade delas – das oferendas – e ainda aos que se comprazem com
certos tipos de ofertas, a eles assim são encaminhadas, tudo de acordo com a
movimentação de certas forças mágicas, dentro da citada Corrente Astral de
Umbanda. E ainda temos que considerar mais esse terceiro aspecto: a maioria de
nossas entidades, “Guias ou Protetores”, podem solicitar uma oferenda sem ter
necessidade direta dela e nem mesmo para se comprazer dela. Podem e usam a
oferenda, para certos movimentos de força mágica relacionados com os
“elementares” – ditos como “espíritos da natureza”...
Portanto, a oferenda na Umbanda existe, mas para espíritos (nome pelo qual
designam os seres desencarnados...) e nunca para Deus, nem para Jesus, nem
para os Orixás. Existem ou são feitas para os espíritos que estão dentro da faixa
dos Orixás... compreendido?
Oferenda é coisa material; esta é a condensação de elementos radicais da
natureza, em sólidos, líquidos, gasosos etc. Esses elementos são forças
elementais, vitais, da dita natura; são, enfim, as correntes fluídicas ou
eletromagnéticas primordiais que são o mesmo que as Linhas de Força que a
tudo comandam. E sem linhas de força não há magia, porque magia é a arte real,
é a Lei Cósmica, básica, que regula todos os movimentos e tudo que existe dentro
do infinito espaço cósmico... e regulando, manipulando as Forças mágicas ou a
Magia, está a Inteligência do Espírito, estão as Potências Espirituais, ou seja, uma
Suprema Inteligência Cósmica...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

EXU CAVEIRA - HISTÓRIA

Sou Exu, assentado nas forças do Sagrado Omulu e sob sua irradiação divina trabalho. Fui aceito pelo Divino Trono Mehor-yê e nomeado Exu a mais ou menos dois milênios, depois de minha última passagem pela terra, a qual fui um pecador miserável e desencarnei amarrado ao ódio, buscando a vingança, dando vazas ao meu egoísmo, vaidade e todos os demais vícios humanos que se possa imaginar.
Fui senhor de um povoado que habitava a beira do grande rio sagrado. Nossa aldeia cultuava a natureza e inocentemente fazia oferendas cruéis de animais e fetos humanos. Até que minha própria mulher engravidou e o sumo sacerdote, decidiu que a semente que crescia no ventre de minha amada, devia ser sacrificado, para acalmar o deus da tempestade. Obviamente eu não permiti que tal infortúnio se abatesse sobre minha futura família, até porque se tratava do meu primeiro filho. Mas todo o meu esforço foi em vão. Em uma noite tempestuosa, os homens da aldeia reunidos, invadiram minha tenda silenciosamente, roubaram minha mulher e a violentaram, provocando imediato aborto e com o feto fizeram a inútil oferenda no poço dos sacrifícios. Meu peito se encheu de ódio e eu nada fiz para conte-lo. Simplesmente e enquanto houve vida em mim, eu matei um por um dos algozes de minha esposa inclusive o tal sacerdote.
Passei a não crer mais em deuses, pois o sacrifício foi inútil. Tanto que meu povoado sumiu da face da terra, soterrado pela areia, tamanha foi a fúria da tempestade. derrepente o que era rio virou areia e o que areia virou rio. Mas meu ódio persistia. E meus olhos havia sangue e tudo o que eu queria era sangue. Sem perceber estava sendo espiritualmente influenciado pelos homens que matei, que se organizaram em uma trevosa falange a fim de me ver morto também. O sacerdote era o líder. Passei então a ser vítima do ódio que semeei.
Sem morada e sem rumo, mas com um tenebroso exército de homens odiosos, avançamos contra várias aldeias e povoados, aniquilando vidas inocentes e temerosamente assombrando todo o Egito antigo. Assim invadimos terras e mais terras, manchamos as sagradas águas do Nilo de sangue, bebíamos e nos entregávamos às depravações com todas as mulheres que capturávamos. Foi uma aventura horrível. Quanto mais ódio eu tinha, mais eu queria ter. Se eu não podia ter minha mulher, então que nenhum homem em parte alguma poderia ter. Entreguei-me a outros homens, mas ao mesmo tempo violentava bruscamente as mulheres. As crianças, lamentavelmente nós matávamos sem piedade. Nosso rastro era de ódio e destruição completas. Até que chegamos aos palácios de um majestoso faraó, que também despertava muito ódio em alguns dos mais interessados em destruí-lo, pois os mesmos não concordavam com sua doutrina ou religião. Eis que então fomos pagos para fazer o que tínhamos prazer em fazer, matar o faraó.
Foi decretada então a minha morte. Os fiéis soldados do palácio, que eram muito numerosos, nos aniquilaram com a mesma impiedade que tínhamos para com os outros. Quem com ferro fere, com ferro será ferido. Isto coube na medida exata para conosco.
Parti para o inferno. Mas não falo do inferno ao qual os leitores estão acostumados a ouvir nas lendas das religiões efêmeras que pregam por aí. O inferno a que me refiro é o inferno da própria consciência. Este sim é implacável. Vendo meu corpo inerte, atingido pelo golpe de uma espada, e sangrando, não consegui compreender o que estava acontecendo. Mas o sangue que jorrava me fez recordar-me de todas as minhas atrocidades. Olhei todo o espaço ao meu redor e tudo o que vi foram pessoas mortas. Tudo se transformou derrepente. Todos os espaços eram preenchidos com corpos imundos e fétidos, caveiras e mais caveiras se aproximavam e se afastavam. Naquele êxtase, cai derrotado. Não sei quanto tempo fiquei ali, inerte e chorando, vendo todo aquele horror.
Tudo era sangue, um fogo terrível ardia em mim e isso era ainda mais cruel. Minha consciência se fechou em si mesma. O medo se apossou de mim, já não era mais eu, mas sim o peso de meus erros que me condenava. Nada eu podia fazer. As gargalhadas vinham de fora e atingiam meus sentidos bem lá no fundo. O medo aumentava e eu chorava cada vez mais. Lá estava eu, absolutamente derrotado por mim mesmo, pelo meu ódio cada vez mais sem sentido. Onde estava o amor com que eu construí meu povoado? Onde estavam meus companheiros? Minha querida esposa? Todos me abandonaram. Nada mais havia a não ser choro e ranger de dentes. Reduzi-me a um verme, jogado nas trevas de minha própria consciência e somente quem tem a outorga para entrar nesta escuridão é que pode avaliar o que estou dizendo, porque é indescritível. Recordar de tudo isto hoje já não me traz mais dor alguma, pois muito eu aprendi deste episódio triste de minha vida espiritual.
Por longos anos eu vaguei nesta imensidão escura, pisoteado pelos meus inimigos, até o fim das minhas forças. Já não havia mais suspiro, nem lágrimas, nem ódio, nem amor, enfim nada que se pudesse sentir. Fui esgotado até a última gota de sangue, tornei-me um verme. E na minha condição de verme, eu consegui num último arroubo de minha vil consciência pedir socorro a alguém que pudesse me ajudar. Eis que então, depois de muito clamar, surgiu um alguém que veio a tirar-me dali, mesmo assim arrastado. Recordo-me que estava atado a um cavalo enorme e negro e o cavaleiro que o montava assemelhava-se a um guerreiro, não menos cruel do que fui. Depois de longa jornada, fui alojado sobre uma pedra. Ali me alimentaram e cuidaram de mim com desvelo incompreensível. Será que ouviram meus apelos? Perguntava-me intimamente. Sim claro, senão ainda estaria lá naquele inferno, respondia-me a mim mesmo. “–Cale-se e aproveite o alvitre que vosso pai vos concedeu.”- Disse uma voz vinda não sei de onde. O que eu não compreendi foi como ele havia me ouvido, já que eu não disse palavra alguma, apenas pensei, mas ele ouviu. Calei-me por completo.
Por longos e longos anos fiquei naquela pedra, semelhante a um leito, até que meu corpo se refez e eu pude levantar-me novamente. Apresentou-se então o meu salvador. Um nobre cavaleiro, armado até os dentes. Carregava um enorme tridente cravado de rubis flamejantes. Seu porte era enorme. Longa capa negra lhe cobria o dorso, mas eu não consegui ver seu rosto.
– Não tente me olhar imbecil, o dia que te veres, verás a mim, porque aqui todos somos iguais.
Disse o homem em tom severo. Meu corpo tremia e eu não conseguia conter, minha voz não saia e eu olhava baixo, resignando-me perante suas ordens.
- Fui ordenado a conduzir-lhe e tenho-te como escravo. Deves me obedecer se não quiser retornar àquele antro de loucos que estavas. Siga minhas instruções com atenção e eu lhe darei trabalho e comida. Desobedeça e sofrerás o castigo merecido.
- Posso saber seu nome, nobre senhor?
- Por enquanto não, no tempo certo eu revelarei, agora cale-se, vamos ao nosso primeiro trabalho.
- Esta bem.
Segui o homem. Ele a cavalo e eu corria atrás dele, como um serviçal. Vagamos por aqueles lugares sujos e realizamos várias tarefas juntos. Aprendi a manusear as armas, que me foram dadas depois de muito tempo. Aos poucos meu amor pela criação foi renascendo. As várias lições que me foram passadas me faziam perceber a importância daqueles trabalhos no astral inferior. Gradativamente fui galgando os degraus daquele mistério com fidelidade e carinho. Ganhei a confiança de meu chefe e de seus superiores. Fui posto a prova e fui aprovado. Logo aprendi a volitar e plasmar as coisas que queria. Foram anos e anos de aprendizado. Não sei contar o tempo da terra, mas asseguro que menos de cem anos não foram.
Foi então que numa assembléia repleta de homens iguais ao meu chefe, eu fui oficialmente nomeado Exu. Nela eu me apresentei ao Senhor Omulu e ao divino trono de Mehor-yê, assumindo as responsabilidades que todo Exu deve assumir se quiser ser exu.
- Amor a Deus e às suas leis;
- Amor à criação do Pai e a todas as suas criaturas;
- Fidelidade acima de tudo;
- Compreensão e estudo, para julgar com a devida sabedoria;
- Obedecer às regras do embaixo, assim como as do encima;
E algumas outras regras que não me foi permitido citar, dada a importância que elas têm para todos os Exus.
A principio trabalhei na falange de meu chefe, por gratidão e simpatia. Mas logo surgiu-me a necessidade de ter minha própria falange, visto que os escravos que capturei já eram em grande número. Por esta mesma época, aquele antigo sacerdote, do meu povoado, lembram-se? Pois é, ele reencarnou em terras africanas e minha esposa deveria ser a esposa dele, para que a lei se cumprisse. Vendo o panorama do quadro que se formou, solicitei imediatamente uma audiência com o Divino Omulu e com O Senhor Ogum – Megê e pedi que intercedessem para que eu pudesse ser o guardião de meu antigo algoz. Meu pedido foi atendido. Se eu fosse bem sucedido poderia ter a minha falange. Assim assumi a esquerda do sacerdote, que, na aldeia em que nasceu, foi preparado desde menino para ser o Babalorixá, em substituição ao seu pai de sangue. A filha do babalawo era minha ex-esposa e estava prometida ao seu antigo algoz. Assim se desenvolveu a trama que pôs fim às nossas diferenças. Minha ex-mulher deu a luz a vinte e quatro filhos e todos eles foram criados com o devido cuidado. Muito trabalho eu tive naquela aldeia. Até que as invasões e as capturas e o comércio de negros para o ocidente se fizeram. Os trabalhos redobraram, pois tínhamos que conter toda a revolta e ódio que emanava dos escravos africanos, presos aos porões dos navios negreiros.
Mas meu protegido já estava velho e foi poupado, porém seus filhos não, todos foram escravizados. Mas era a lei e ela deveria ser cumprida.
Depois de muito tempo uma ordem veio do encima: “Todos os guardiões devem se preparar, novos assentamentos serão necessários, uma nova religião iria nascer, o que para nós era em breve, pois não sei se perceberam, mas o tempo espiritual é diferente do tempo material. Preparamo-nos, conforme nos foi ordenado. Até que a Sagrada Umbanda foi inaugurada. Então eu fui nomeado Guardião à esquerda do Sagrado Omulu-yê e então pude assumir meu trono, meu grau e meus degraus. Novamente assumi a obrigação de conduzir meu antigo algoz, que hoje já está no encima, feito meritóriamente alcançado, devido a todos os trabalhos e sacrifícios feitos em favor da Umbanda e do bem.
Hoje, aqui de meu trono no embaixo, comando a falange dos Exus Caveira e somente após muitos e muitos anos eu pude ver minha face em um espelho e notei que ela é igual à de meu tutor querido o Grande Senhor Exu Tatá Caveira, ao qual devo muito respeito e carinho. Não confundam Exu Caveira, com Exu Tatá Caveira, os trabalhos são semelhantes, mas os mistérios são diferentes. Tatá Caveira trabalha nos sete campos da fé; Exu caveira trabalha nos mistérios da geração na calunga, porque é lá que a vida se transforma, dando lugar à geração de outras vidas, mas não se esqueçam que há sete mistérios dentro da geração, principalmente a Lei Maior, que comanda todos os mistérios de qualquer Exu. Onde há infidelidade ou desrespeito para com a geração da vida ou aos seus semelhantes, Exu Caveira atua, desvitalizando e conduzindo no caminho correto, para que não caiam nas presas doloridas e impiedosas do Grande Lúcifer-Yê, pois não desejo a ninguém um décimo do que passei. Se vossos atos forem bons e louváveis perante a geração e ao Pai Maior, então vitalizamos e damos forma a todos os desejos de qualquer um que queira usufruir dos benefícios dos meus mistérios. De qualquer maneira, o amor impera, sim o amor, e por que Exu não pode falar de amor? Ora se foi pelo amor que todo Exu foi salvo, então o amor é bom e o respeito a ele conserva-nos no caminho. Este é o meu mistério. Em qualquer lugar da calunga, pratique com amor e respeito a sua religião e ofereça velas pretas, vermelhas e roxas, farofa de pinga com miúdos de boi. Acenda de um a sete charutos, sempre em números ímpares e aguardente. De acordo com o número de velas, se acender sete velas, assente sete copos e sete charutos, assim por diante. Agrupe sempre as velas da mesma cor juntas e forme um triângulo com o vórtice voltado para si, as velas roxas no vórtice, as pretas à esquerda e as vermelhas à direita, simbolizando a sua fidelidade e companheirismo para conosco, pois Exu Caveira abomina traição e infidelidade, como, por exemplo, o aborto, isto não é tolerado por mim e todos os que praticam tal ato é então condenado a viver sob as hostes severas de meu mistério. Peça o que quiser com fé, e com fé lhes trarei, pois todos os Exus Caveira são fiéis aos seus médiuns e àqueles que nos procuram.
A falange de Exus Caveira pertence à falange do Grande Tatá Caveira, que é o pai de todos os Exus assentados à esquerda do Divino Omulu, os demais não posso citar, falo apenas do meu mistério, pois dele eu tenho conhecimento e licença para abrir o que acho necessário e básico para o vosso aprendizado, quanto ao mais, busquem com vossos Exus pessoais, que são grandes amigos de seus filhos e certamente saberão orientar com carinho sobre vossas dúvidas. Um último detalhe a ser revelado é que todos os que têm Exu Caveira como Exu de trabalho ou protetor, é porque em algum momento do passado, pecaram contra a criação ou à geração e ambos, protetor e protegido tem alguma correlação com estes atos errôneos de vidas anteriores.
Tenham certeza, se seguirem corretamente as orientações, com trabalho e disciplina, o mesmo que sucedeu com meu antigo e grande sumo sacerdote, sucederá com vocês também, porque este é o nosso desejo. Mais a mais, se um Exu de minha falange consegue vencer através de seu médium ou protegido, ele automaticamente alcança o direito de sair do embaixo e galgar os degraus da evolução em outras esferas.
Que o Divino Pai maior possa lhes abençoar e que a Lei Maior e a Justiça Divina lhes dêem as bênçãos de dias melhores.



sábado, 2 de fevereiro de 2013

IEMANJÁ, MAIS QUE RAINHA, MÃE

ESSA É UMA PEQUENA HOMENAGEM A MINHA QUERIDA MÃE IEMANJÁ, POIS DESDE QUE INICIEI NA UMBANDA É ELA QUE REGE MEUS CAMINHOS E ME DA FORÇA PARA VENCER OS OBSTÁCULOS.
IEMANJÁ MAIS QUE RAINHA, É MÃE, E MÃE É TUDO NA VIDA DA GENTE, LEMBRO ATÉ HOJE QUANDO CRIANÇA AINDA PODIA VESTIR SEU VESTIDO E SUA COROA, E FICAR ALI, DO LADO DO CONGÁ TE REPRESENTANDO

A majestade dos mares. Senhora dos oceanos, sereia sagrada, Iemanjá é a Rainha das águas salgadas, considerada como mãe de todos Orixás, regente absoluta dos lares, protetora da família. Chamada também como a Deusa das Pérolas, Iemanjá é aquela que apara a cabeça dos bebês no momento do nascimento.
Essa força da natureza também tem um papel muito importante em nossas vidas, pois é ela que vai reger nossos lares, nossas casas. É Iemanjá que vai dar o sentido de "família" a um grupo de pessoas que vivem debaixo de um mesmo teto. Ela é a geradora e personalidade ao grupo formado por pai, mãe e filhos, transformando-os num grupo coeso.
Iemanjá é o sentindo de educação que damos aos nossos filhos, os mesmos que recebemos de nossos pais, que aprenderam com nossos avós. Ela, Iemanjá, rege até o castigo, as sanções que aplicamos aos filhos. É o sentido básico, é a base da formação de uma família, aquela que vai gerar o amor do pai pelo filho, da mãe pelo filho, dos filhos pelos pais, transformando tais sentimentos num só, poderoso, imbatível, que se perpetuará.
Iemanjá é a família! Rege as reuniões de família, os aniversários, as festas de casamento, as comemorações que se fazem dentro da família. É o sentido da união, seja ligado, por laços consangüíneos, ou não.
Dentro do culto, numa casa de santo, Iemanjá também atua organizando e dando sentindo ao grupo, à comunidade ali reunida e transformando essa convivência num ato familiar; criando raízes e dependências; proporcionando o sentimento de irmão pra irmão em pessoas que há bem pouco tempo não se conheciam; proporcionando também o sentimento de pai para filho, ou de mãe para filho e vice-versa, nos casos do relacionamento do Babalorixás, ou Ialorixás como os Omo Orixás (filhos de Santo).
Iemanjá também está presente nas decisões, nos momentos de angústia e preocupação pelo ente querido, pois seus sentimentos geram os nossos, A necessidade de saber se aqueles que amamos estão bem, a dor pela preocupação, é uma regência de Iemanjá, que não vai deixar morrer dentro de nós o sentido de amor de amor ao próximo, principalmente em se tratando de um filho, filha, pai, mãe, outro parente, ou amigo muito querido. E estendemos isso, também, às comunidades da Religião.
Iemanjá é a preocupação e o desejo de ver aquilo que amamos a salvo, sem problemas. É a manutenção da harmonia do lar.
Está presente também no nascimento, pois é ela quem vai aparar a cabeça do bebê, exatamente no momento do seu nascimento. Se Exu fecunda e Oxum cuida da gestação, é Iemanjá quem vai receber aquela nova vida no mundo e entregá-la ao seu regente, que inclusive pode ser até ela mesma. Isto tem uma importância muito grande, no sentido e na visão da Cultura Africana, sobre a fecundação e concepção da vida humana. Iemanjá é a senhora dos lares, pois, desde o nascimento, ou a partir do nascimento, ela cuidará da família.
Daí o titulo de Iyá (mãe), melhor, Iyá – Ori (mãe da cabeça) e plasmadora de todas as cabeças; aquela que gera o Ori, que dá o sentido da vida e nos permite pensar, raciocinar, viver normalmente como seres pensantes e inteligentes.
Iemanjá está presente nos mares e oceanos. É a Senhora das águas salgadas e será ela que proporcionará boa pesca nos mares, regendo os seres aquáticos e provendo o alimento vindo de seu reino. Iemanjá é a onda do mar, o maremoto, a praia em ressaca, a marola, É ela quem controla as marés, é ela quem protege a vida no mar.